quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Uma função a ser também exultada

O ato de dirigir uma obra seja ela filmada ou gravada (favor ver a diferença) representa um dos pontos de maior responsabilidade, na estruturante Organização da Produção dessa mesma obra. Uma lógica racional, justa, que jamais deve ser olvidada até em razão do objetivo final – seja esse um produto ótimo, satisfatório ou não. Assunto sobre o qual tenho insistido junto aos nossos alunos de Comunicação Social, na UFPB.
Não obstante ser verdadeira essa lógica, na direção de um trabalho de equipe, sobretudo a capacidade e habilidade de quem manipula a Finalização, a prax da junção das ideias, dando-lhes sentido e notoriedade (seja do diretor imediato ou de quem quer que seja) é um exercício que também nunca deve ser esquecido. Quem fica por detrás das câmeras e da switch, caso específico de Televisão, merece e deve ser igualmente exultado, público.
Erro crasso tem sido praticado, amiúde, em se omitir os nomes daqueles profissionais que ficam nos bastidores da produção ou mesmo nas clausuras das ilhas de Edição. São esses, realmente, que dão “vida” às ideias de qualquer outro que busque, isoladamente, a redoma da virtuosidade exclusiva. Cada obra, seja ela cinematográfica ou videográfica, é produto do todo empenho e engenhosidade de uma equipe.
Hoje, os tempos são outros. Passamos do glamour “mise au sein” diretiva à habilidade dos grandes finalizadores. Por que são estes mesmos que já não fazem só o corte de cada fotograma, mas, manipulam frames. Uma realidade tecnológica e autoral tão importante quanto à de dirigir, simplesmente. Isto é fato incontestável...

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

domingo, 16 de dezembro de 2012

O “Oscar” paraibano de 2012 vai para...

                                                                                           Wills Leal, Nelson Pereira dos Santos e Juarez Farias, da APL
 
O “Oscar” do cinema paraibano, como ficou conhecido o “Prêmio-APC” da Academia Paraibana de Cinema aos Melhores Filmes e Vídeos do Ano, tem importância simbólica por ter sido concebido, em 2010, por um Conselho Acadêmico da entidade mais representativa de cinema, no Estado. Naquele ano, sob inspiração da diretoria da APC foi criada uma comissão para a discussão e a formulação de medidas que viabilizassem o escopo e a forma do prêmio, mas que ele tivesse um peso à altura da própria instituição cinematográfica que representa.

Em encontro realizado na Academia Paraibana de Letras, no centro de João Pessoa, quando esteve presente inclusive o cineasta Nelson Pereira dos Santos (foto), que recebeu o título de Sócio Benemérito da Academia Paraibana de Cinema, o Conselho Diretor da entidade manifestou seu interesse em manter uma estreita relação cultural com a APL. Nessa ocasião foi anunciada pelo presidente da APC a formação de uma comissão especial, para a criação do regulamento ao prêmio mais importante do cinema paraibano.    E que esse reconhecimento seria concedido pela entidade aos profissionais da atividade cinematográfica, na Paraíba, cujo troféu já vinha sendo cogitado pela academia e seria confeccionado por um dos artistas plásticos, também paraibano.

No Dia Mundial do Cinema, sempre celebrado na data de 28 de dezembro, naquele mesmo ano o prêmio foi entregue pela primeira vez ao filme “Antomarchi”, média-metragem de ficção então produzido pelas empresas paraibanas AS Produções Cinema&Vídeo e MDias Construções e Incorporações. Dentre as muitas homenagens prestadas na ocasião à equipe do filme ele foi ainda considerado especial pela crítica e setores de produção especializados, por ter sido o primeiro filme a usar a técnica Blu-Ray em sua finalização, na Paraíba.  

Ano passado, em solenidade de premiação promovida pela APC na Funesc, foram agraciados com o mesmo Prêmio-APC os vídeos “O Diário de Mércia” (ficção), “A felicidades dos peixes” (documentário) e “Ritmos”, uma experiência de animação. A noite festiva encerrou com o vídeo especial da coleção do acadêmico Mirabeau Dias - “Coleção Memórias Paraibanas do Século XX”, trabalho finalizado por Alexandre Menezes.

Para este ano a Diretoria da APC está programando uma ampla comemoração no Dia Mundial do Cinema, próximo dia 28. Segundo o presidente da entidade, escritor Wills Leal, a celebração deverá constar da distribuição do novo número da revista da entidade CineNordeste, do Informe APC, além da exibição dos filmes vencedores no IV FestCine Digital do Semiárido, que receberão os Troféus “Walfredo Rodriguez” de Ficção e “Machado Bitencourt” de melhor documentário.  
 
A expectativa por parte dos realizadores já é muito grande, dado o número de obras inscritas e que participaram do programa de exibições gratuitas do certame, que percorreu quatro estados nordestinos – Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
 
              A APC convida todos à grande festa do cinema mundial, no próximo dia 28 e brindar juntamente com os premiados do ano!

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor da UFPB e cineasta.
E-mails: alexjpbs@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sábado, 8 de dezembro de 2012

70 anos de “Casablanca” e outros feitos singulares



















     A data: 26 de novembro de 1942.
     O feito: Lançamento de uma das mais emblemáticas e representativas obras que Hollywood já produziu – “Casablanca” de Michael Curtiz. Setenta anos, portanto, da estreia de um grande filme no Teatro Hollywood de Nova York, para coincidir com a invasão dos Aliados no norte da África e da captura de Casablanca. Esta, pelo menos, a versão da História Oficial do Cinema, não a do filme em si, claro.
     O fato: Naquela data, no outro flanco da Terra filas de judeus e outras raças consideradas “menores”, e não puras e arianas, eram usadas como cobaias nos experimentos mais hediondos que a história já pode registrar, nos campos de concentração de Dachau e Auschwitz, na Alemanha de Hitler. Do lado de cá, meses antes importante motivo houve de existir de forma temporal/espacial de mim mesmo e dos meus familiares – o ano de minha graça. Justamente naquele mesmo fevereiro de 1942 nada menos de duzentos prisioneiros eram submetidos à câmara de pressão, numa experiência que haveria de eliminar mais de oitenta criaturas de Deus.
     Não obstante a época, longe da cenografia real de uma guerra fraticida na Europa, na terra do cinema o grande acontecimento que levaria multidão ao majestoso teatro e à ocupação dos 1500 lugares, na exibição de um filme que arrecadaria mais de 255.000 dólares ao longo de apenas dez semanas. Mas, “Casablanca” teria igual lançamento em janeiro do ano seguinte, para aproveitar a Conferência de Csablanca, uma reunião de alto nível representada pelos governos Churchill e Roosevelt.
     Anos depois, aqui em nosso mundo Brasil, paraibano, santarritense eu testemunharia o relançamento dessa grande obra com os olhos maravilhados de criança já contaminada pela Arte Sétima, num dos cinemas do meu pai. Um espetáculo que cinéfilos viram à época deveras deslumbrados não apenas em razão do filme “Casablanca”, mas pelas multidões que buscavam o cinema e suas bilheterias, que nesse dia houve de se multiplicar.
     Seguidor que tenho sido da trajetória dessa grande obra não poderia deixar de hoje registrar a efeméride cinematográfica e hollywoodiana de “Casablanca”, nesses seus 70 anos. Filme que conseguiu ratificar para o mundo, o verdadeiro glamour de uma das mais poderosas indústrias do Cinema de todos os tempos.
     De “Casablanca” e desse tempo que passou, para nós ficam recordações e também “motivo de uma grande amizade”; tudo isso embalado por sua indelével canção: As Time Goes By...
     Mais “coisas de cinema” no blog:            
     www.alexsantospb.blogspot.com.br

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

domingo, 2 de dezembro de 2012

O que é do acervo da Repsom Filmes?

 
Na Aquarius Filme: o gerente Gusmão, Ivan, Lauro e Alex Santos         
          Indagam-me sempre a respeito de referências sobre o jornalista Ivan de Oliveira, com quem trabalhei alguns anos atrás em João Pessoa e realizamos uma série de cinejornais para a Repsom Produções Cinematográficas Ltda. Algumas vezes indiquei o endereço do Ivan, que conhecia à época, numa rua que começa bem em frente ao portão principal da Bica, na Torre. Mas, dos anos setenta pra cá já faz algum tempo... Dessa experiência tenho apenas alguns esboços de locações e roteiros por mim elaborados para as filmagens. Lembro também da participação do jornalista Anco Márcio, de quem fora a maioria dos textos narrados nos filmes e a quem recorri sobre o assunto, mas ele disse também não saber de mais nada. Recentemente, Wills Leal também me indagou a respeito do paradeiro das “coisas” daquele cinejornal e da Repsom. Mais uma vez não soube informar.
Não era fácil se produzir quase sem dinheiro alguns curtas-metragens, registrando especialmente eventos e obras do governo de então, na Paraíba. Filmes que depois eram exibidos sobretudo no Cine Plaza, antes de suas sessões normais de fim de semana. Basicamente, os recursos financeiros de produção eram oficiais, contudo havia algumas logísticas da iniciativa privada, mas eram poucas. Como o traslado de nossa equipe para o interior ou para fora do estado, estadias, alimentação, entre outras coisas. Osso duro mesmo era com o aluguel dos equipamentos de filmagens em 35mm, que não eram da Repsom, a revelação do material filmado e sua finalização nos Laboratórios da Líder de São Paulo, às vezes no Rio de Janeiro.
Observando o restrito plano de exibição e sob minha influência buscamos estender a difusão dos nossos cinejornais para outros estados. Aceita a sugestão, contatei uma empresa distribuidora de filmes em Recife, a Companhia Aquarius Ltda. Com a qual já vinha tendo laços comerciais há anos, em razão dos cinemas do meu pai, em Santa Rita e no distrito de Várzea Nova. Ato contínuo agendei uma visita àquela distribuidora de filmes, oportunidade em que apresentei Ivan de Oliveira e Lauro, ambos publicitários paraibanos ao amigo Gusmão, gerente da Aquarius e companheiro de colóquios etílicos no conhecido restaurante do “portuga”, no ambiente recifense da cinematografia. Foi feito o acordo, ficando certa a distribuição do nosso cinejornal a toda rede de cinemas do Nordeste, que vinha trabalhando com a Aquarius.
A parceria durou pouco e a distribuição do Cine Nordeste foi suspensa, justamente por falta de continuidade da própria Repsom. Coisas que sempre aconteciam com o nosso cinema dos anos sessenta e setenta. Houve sempre de pararmos no caminho por falta de grana e de laboratórios fora do eixo Rio-São Paulo...
ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor da UFPB e cineasta.                     E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A mídia da carnavalização!


O Cinema tem gerado ao longo do tempo a concepção de que o fantástico e a aventura possam, sim, acontecer no mundo real. Não fosse assim, o virtual no cinema não teria a magia que tem. Mas, essa fantasia foi com o tempo transformada em uma verdade cruel, nociva aos padrões de civilidade que tanto se deseja.

Se for verdade também que a tecnologia e o cientificismo mostrados pelo cinema, ainda nos idos do filme “mudo”, como propostas inovadoras em suas estórias serviram de prenúncio à realidade de hoje, isso se deve à importância de alguns filmes emblemáticos. Obras que ao longo do tempo conseguiram influenciar multidões, provocando experiências e inovações.

Em razão disso, um paralelo inusitado se nos apresenta neste momento, entre o virtual que sempre se mostrou no cinema e a cruel realidade dos nossos dias. Exemplo típico, a banalização do crime, por consequência, da vida. Heróis e bandidos, hoje, parece conviverem lado a lado. O aparato usado pelo Estado e mostrado diariamente pela mídia, sobretudo eletrônica, é algo que transcende à própria aventura cinematográfica. Mas, sem sucesso.

Se, no passado, os chefões foram figuras sempre temidas pelo populaço, menos pelos “mocinhos” e super-heróis de cada filme, atualmente as atitudes e ações desses mesmos chefões são sublimadas em importância por um tipo de pirotecnia exacerbada e propagandística do próprio aparato policial. Tem prevalecido a carnavalização do fato, também pela mídia, em detrimento da seriedade e respeitabilidade da gestão publica.

Inadmissível, determinados cotejos terrestres, muitas vezes aéreos transportando marginais e chefões tidos perigosos de uma localidade a outra do país para audiências de Júri. Situação essa que caberia a Justiça, inclusive, a “responsa” de algumas medidas que ainda não estão sendo tomadas, em benefício da economia pública e do próprio bem comum. As audiências “internéticas” não seriam a solução adequada, por sua vez mais econômica para casos dessa natureza?

Nem mesmo as “tropas de elite” e as berrantes sirenas de seus comboios têm conseguido dar jeito na situação hoje sofrida pela nossa sociedade.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor da UFPB e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Academia de Cinema abre inscrições

Membros da Academia Paraibana de Cinema
O meio cinematográfico mais uma vez se entusiasma no propósito de reconhecer e promover os seus valores locais, sobretudo humanos. Sob a égide de seu órgão mais representativo, o Conselho Diretor da Academia Paraibana de Cinema (APC) resolve abrir inscrição para a Cadeira no 1, cujo Patrono é Walfredo Rodriguez, no sentido de preencher a vaga deixada pelo cineasta Linduarte Noronha de Oliveira, falecido no início deste ano.

O pioneirismo do Cinema Paraibano e o esforço hercúleo daqueles que o construíram durante décadas, em todos os seus segmentos, continua sendo lembrado e homenageado através da imortalidade. Selo indelével da nossa Academia. Igual tributo tem sido prestado àqueles a cujas Cadeiras são hoje designados. Passado e presente dão sentido maior à cooptação para esse tão almejado reconhecimento, valorizando e motivando inclusive as novas gerações à resistência cultural e aos feitos de um “Cinema de Província”, que se fez grande até os dias de hoje.

Outrora, sem embargo algum de uma filosofia sobretudo focada no “Cahiers du Cinéma” e na “Nouvelle Vague”, no amplo pensamento crítico europeu, houve de nos respaldarmos na vivência do nosso cineclubismo e em filmes simbólicos e memoráveis. Em meados dos anos cinquenta, o surgimento da tão querida Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba (ACCP) e do Cinema Educativo reforçaram-nos as bases reflexivas de um cinema reconhecidamente “atonal e espiritual”.
 
É em razão de todo esse marcante passado que o Conselho Diretor da APC, observando o que determina o Art.12 de seu Estatuto declara vaga a Cadeira no 1, ficando abertas a partir da presente data, até dia 30 deste mês as inscrições ao seu preenchimento. Poderá se candidatar, conforme preceitua o Art.6o do Estatuto, paraibano nato ou que reside há mais de 5 (cinco) anos e comprove reais atribuições com o cinema paraibano. Inscrições devem ser feitas no site: willslealcinema@gmail.com
 
ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.

domingo, 28 de outubro de 2012

Olhar virtual de uma “paisagem sonora”


 
Sávio Rolim é "Menino de Engenho"
Algum tempo atrás, também no meu blog escrevi que a Natureza com todos os seus elementos “cênicos”, sempre me foi simpática a um olhar cinematográfico. Talvez, por isso, sempre tenha tido inclinação por filmar (ou gravar) no campo. Trata-se de um impulso pessoal e muito natural de minha parte, se examinado todo o meu trabalho, desde os anos sessenta aos dias atuais. Quiçá “Antomarchi”, mais recentemente, tenha sido uma das minhas exceções.
Reforce-se a essa minha preferência pelo telúrico os primeiros encantamentos que tive quando criança, que dava preferência aos “cow-boys” exibidos nos cinemas do meu pai. Mas, tais observações preferenciais vieram também de leituras de temas regionais, que me fizeram a cabeça logo cedo: Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Câmara Cascudo, os nossos Zés Lins e Américo, o poeta Américo Falcão e seu telurismo sobre as praias de Lucena, além de mais alguns outros “vegetalistas”, segundo Virgínius da Gama e Melo.
Razão essa que me fez fugir um pouco dos temas urbanos, deitando um “olhar cinematográfico” (até romântico, confesso) sobre o telurismo e o vegetalismo, de naturezas verdes de encantar. Além de temas de raízes campesinas, como o Cangaço, por exemplo. E sempre defendi que o nosso Cinema se identifica mais com esse temário que com situações de polícia correndo atrás de bandido nos centros urbanos, situação que se tornou a prax do cinema americano dos últimos tempos, inclusive como temas para uma boa parte dos filmes brasileiros.
Esta semana, na sala de aula, um de meus alunos me fez a seguinte indagação: “Professor, o que o senhor entende por Paisagem Sonora?” Esclarecendo que este é um dos assuntos do programa de uma das disciplinas do Curso de Comunicação Social, que venho ministrando.
Não me surpreendi de forma alguma com a curiosidade do aluno, porquanto existir em cada um de nós, de quando em vez, um instante de contemplação àquilo que, virtualmente, imaginamos existir. Na música, também terá sido possível esse instante visual, que preconizamos de “paisagem sonora”.
Respondi à indagação do aluno da seguinte maneira: Imagine-se lendo um livro (e dei exemplos dos romances dos Zés Lins e Américo). Imagine-se lendo o nosso Zé Lins do Rego, especialmente. O romance dele é rico em vegetalismo, que nos fazem criar as nossas próprias “paisagens virtuais”. Agora, imagine-se ouvindo atentamente uma boa música. Uma melodia que traga um apelo realmente naturalista. E dei exemplos de Vivaldi com as “Quatro Estações” e Villa Lobos com o Concerto no2 “Amazonas”. Em ambos os casos, certamente seria impossível não imaginarmos uma “paisagem sonora”...  

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

FESTCINE DIGITAL PRORROGA INSCRIÇÕES


Até o final deste mês, continuam abertas as inscrições para a quinta versão do FestCine Digital do Semiárido. O festival será realizado em quatro Estados do Nordeste (Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco), no início de novembro próximo, em cidades que integram o semiárido. Seu objetivo é exibir filmes focados na temática desta região e tem sido o porta-voz de um dos segmentos de maior expressão cultural/artística do Nordeste brasileiro: o Audiovisual.

Poderão se inscrever realizadores com obras videográficas entre 5 e 15 minutos, desde que apresentadas em mídia (DVD), sem restrições de gêneros. As dezenas de obras exibidas, (e que são analisadas, discutidas e selecionadas pelos espectadores e utilizadas em oficinas durante os festivais) vêm permitindo aumentar de forma significativa a autoestima de centenas de nordestinos que, utilizando os ilimitados recursos digitais, procuram mostrar sua realidade, seus mitos e símbolos, as belezas e contrastes de suas paisagens.

Os filmes escolhidos receberão os Troféus “Walfredo Rodriguez de Melhor Documentário” e “Machado Bittencourt de Melhor Ficção”. Serão concedidos também prêmios especiais a serem divulgados posteriormente. A entrega das premiações será no dia 28 de dezembro, Dia Mundial do Cinema, em local a ser amplamente anunciado. As inscrições já podem ser feitas, previamente, através do site do certame: http://www.festcinesemiarido.com.br.
 
ATENÇÃO: As obras concorrentes, além da inscrição prévia pelo site do festival devem ser enviadas pelos Correios (cópia da Ficha de Inscrição e o DVD) até o final deste mês, para o seguinte endereço: WILLS LEAL (Coordenador Geral) Avenida Cabo Branco, no 4560, João Pessoa, Paraíba, CEP 58045-010.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cinema, pão e caminhada

Cena de "Cinema Paradiso"
 
Entre uma andada e outra, quase sempre nos encontramos na calçadinha de Tambaú, nos finais de tarde. Ele em demanda da padaria mais próxima e eu na esticada enfadonha de mais uma caminhada, que nem sei mesmo pra serve, não fosse a insistência da minha Lili de que “caminhar é sempre bom para a saúde”. Em razão de tal registro meramente quotidiano, o que teria isso a ver com o cinema?

Pois bem, esta semana mais uma vez encontrei o amigo Petrônio Souto na calçadinha, como sempre em busca do pão-nosso-de-cada-dia. De conversa em conversa fomos diretos aos anos 60. Segundo ele, época em que a indicação dos filmes em cartaz pela crítica especializada tinha um fascínio todo especial. Ia-se ao cinema na maioria das vezes pela indicação dos filmes através da imprensa.

Sabedor da minha condição de membro da Academia Paraibana de Cinema reforçaria Petrônio a ideia de que deveríamos retomar as indicações dos filmes em cartaz na cidade, agora sob a égide da APC. De princípio, acreditei que seria uma possibilidade com as novas mídias, porquanto temos hoje muito mais condições de veicular nossas opiniões sobre cinema do que antigamente, quando só dispúnhamos de jornal e radio.  

Ao nos afastarmos, fiquei deveras a matutar sobre o assunto. Após mensurar melhor a ideia, comentei com a Lili de que a época mencionada por Petrônio era outra. Hoje já não dispomos de Cinemas, mas de Salas de Shoppings visitadas por uma adolescência faminta de efêmeras pirotecnias audiovisuais. Excepcionalmente, o jovem tem demonstrado interesse por uma indicação crítica de filmes em cartaz. Cinema, hoje, pode fazer parte de um programa de shopping. Jamais de um ritual acadêmico como antigamente.

Por tudo isso, amigo Petrônio, é fácil entender o verdadeiro e atual sentido do nosso cinema. Para os que privaram do seu maior encanto, da magia e da sua cênica “realidade”, como “nosoutros”, não é difícil de entender as diferenças impostas à arte-do-filme, em todos esses anos.  Longe de ser o atrativo maior de um bairro, de uma urbe e de uma sociedade, o cinema foi relegado a um simples apêndice cultural. As nossas atuais salas de exibição estão sendo frequentadas não mais por ardorosos “habituées”, mas por mentes jovens e ávidas de imediatismos.

“C'est la vie...”

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cinema – Arte dos múltiplos sentidos


Ao longo de nossa convivência com o cinema, ele nos tem dado motivos para alguns instantes de criativas reflexões. Muitas delas comparações prazerosamente lúdicas. São imagens de significados às vezes imperceptíveis ao espectador comum, para nós, no entanto, cheias de simbolismos prementes de interpretações. Desse modo, fazendo-nos pensar diferentemente sobre elas, na busca daquele algo mais que só a arte-do-filme proporciona.

Em um desses instantes, lembro bem, lá pelos idos de l982, tendo assistido ao lançamento de um filme de Steven Spielberg, naquela época colunista e editor do Segundo Caderno do Jornal O Norte, escrevi sobre uma das sequências de “ET” que julguei simbolicamente semelhante à de outro filme que havia visto quando criança, vinte oito anos antes, dirigido pelo húngaro naturalizado espanhol Ladislao Vajda, “Marcelino, pan y vino” (1954). Fato esse que me fora indagado por um amigo, também professor da UFPB, em breve encontro que tivemos esta semana na Adufpb.

As sequências lembradas são as de Marcelino (Pablito Calvo) aproximando-se da imagem do Cristo crucificado no interior da capela (foto), inicialmente temeroso, depois maravilhado, e a cena do filme de Spielberg, quando o garoto em seu próprio quarto tem o primeiro contato com um extraterrestre. Parece existir em ambas as construções, se assim podemos afirmar, uma semiótica perfeita, um significado único. Existe, alí, algo poderoso demais aos olhos das crianças. Singular e emblemático à importância de ambos os filmes.

Em “Marcelino” e no “ET”, preservados os simbolismos, o Sagrado no filme de Vajda e o Científico em Spielber, existe justamente a similitude entre os dois momentos sequenciais. Não obstante tais semelhanças dos sentidos, simbolicamente construídos, no cinema esses mesmos sentidos podem ser “lidos” e encontrados em outros filmes. Lembremo-nos, então, de “8 1/2” (1963) de Federico Fellini e “Menino de Engenho” (1969/70) de Walter Lima Jr., do clássico de Zé Lins. Filmes de produções de uma mesma década e onde encontraremos outro importante motivo de comparação. As estripulias da prostituta Saraguina (felliniana) e as de Zefa Cajá, do romance zeliniano.

A rigor, semelhanças, signos, enriquecimento dramático, tudo conta na construção de um bom filme. Em Arte, sobretudo em Cinema, as boas performances existem para serem lembradas, copiadas, ampliadas e até melhoradas. Nada contra...

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br
   

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Setembro 17 de 1914 – “Amarcord”

     Em Santa Rita-PB, um mundo mágico construído pelo meu Pai   
   Esta manhã, diferentemente de tantas outras do nosso conturbado quotidiano, acordei com um motivo a ser novamente lembrado. Motivo singular, que a cada ano se repete e tem se somado às manhãs de tantos outros 17 de setembro de minhas memórias. Data que transcende ao mero registro cronológico de tempo, fazendo-se expressiva não só a mim, mas aos membros de minha família.


    Não bastasse a tal lembrança, logo cedo recebo um telefonema emocionado, justamente de quem, tanto quanto eu viveu sob a orientação daquele que, durante todos esses anos, ainda continua sendo o mentor das nossas mais profundas e virtuais emoções. Ligara-me para dizer, simplesmente:

– Alô, é Alex?

– Sim!... (respondo eu, ainda sem saber quem está do outro lado da linha).

– Hoje é o dia!... (exclama o meu interlocutor com a voz embargada de sentimentos).

    O amigo Rubens, com quem vivi minha adolescência de cinema, em Santa Rita, jamais deixou passar em branco a data que hoje celebramos cheios de orgulho e saudades. Completaria hoje (17 de setembro de 2012) noventa e oito anos, o meu Pai, SEVERINO ALEXANDRE DOS SANTOS, um pioneiro do “cinema mudo”, estoico arquiteto e construtor de seus próprios cinemas na cidade e distritos de Santa Rita.

    O amigo Rubens, a exemplo de outros garotos de sua idade, outrora presentes na portaria de nossos cinemas, negociando revistinhas de super-heróis em quadrinhos, começara sua vida cinematográfica, de fato, com a ajuda do meu pai – “Seu Severino do Cinema”. Daí sua sentida gratidão até hoje, quando celebramos as datas de nascimento e de passagem do nosso mais querido patrono.

    Obrigado, amigo Rubens, pela emocionada lembrança do nosso timoneiro e de tantas e tantas “aventuras cinematográficas”. Que o écran luminoso de nossos ruidosos projetores do passado, que tanto construiu as boas memórias que hoje vivemos, continue sempre a projetar as imagens de uma aventura virtual e mágica, que soubemos verdadeiramente cultuar.

ALEX SANTOS – Da Academia Paraibana de Cinema, jornalista e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Por um cinema simplesmente digital

Pelo fato de sua recente publicação no jornal A União, abro espaço ao artigo do meu próprio filho Alexandre, especialista que é nas questões das Ciências Informáticas.
Tenho-o acompanhado, no seu trato ainda com as experiências relacionadas à Imagem Digital, o que o credencia em sua afinidade também com o próprio Cinema. Portanto, eis o vínculo...

Os Modelos de Conteúdo e os Elementos da HTML5

Por: Alexandre Menezes Cavalcanti *

A primeira especificação da HTML5 foi publicada pelo W3C em 22 de janeiro de 2008. Entretanto, a XHTML seria mantida obedecendo às mudanças causadas na HTML. Em 2009, o grupo que cuidava especificamente da XHTML2 foi descontinuado. A HTML5 passaria a ser o principal foco.

Elementos HTML são estruturas semânticas que dão forma aos documentos, são compostos de tag, conteúdo e podem ser caracterizados através de atributos. Tags são códigos que demarcam o início e, quando for necessário, o fim de um elemento. Os atributos também são códigos inseridos no corpo das tags, que servem para definir algumas propriedades de um elemento HMTL. A estrutura completa de um elemento HTML pode ser exemplificada pelo código abaixo:

< p id=”frase” >A HTML5 revolucionou a web.< /p >

No código acima, temos um elemento HTML que demarca um parágrafo no documento. Sua estrutura possui a abertura da tag (<), um atributo (id) que identifica o elemento com o nome “frase”, o sinal (>) encerrando a tag de abertura, a frase “A HTML5 revolucionou a web.” como conteúdo do elemento e a tag de fechamento composta por um sinal de menor que (<), uma barra (/), o código referente ao elemento e um sinal de maior que (>).

A internet mudou muito desde que a HTML 4.01 foi reconhecido como um padrão oficial. Hoje em dia, alguns elementos da HTML 4.01 se tornaram obsoletos, alguns nunca são usados e outros não são utilizados da forma que deveriam ser. Esses elementos foram apagados ou modificados na especificação da HTML5. Além disso, a internet de hoje tem novas necessidades, o que fez com que os desenvolvedores da nova versão da HTML incluíssem novos elementos a fim de se ter uma melhor estrutura, desenho, tratamento de forma e conteúdo de mídia.

Na HTML5, cada elemento está associado a um Modelo de Conteúdo que é uma forma de agrupar os elementos em categorias de acordo com o conteúdo que se espera ser inserido em cada um deles. Cada categoria descreve o tipo de conteúdo e são divididas em: Metadados; Fluxo; Seção; Cabeçalhos; Frase; Incorporação; Interativo.

Alguns elementos podem se enquadrar em mais de uma categoria enquanto outros, por terem necessidades específicas, não se encaixam em nenhuma categoria particular. Exemplo disso são os elementos de formulários, que além de pertencerem a mais de uma categoria, têm sua categoria específica que pode ser denominada Formulário.

*) Pós-graduando em Ciências da Computação, com Diploma de Inglês reconhecido pela Universidade de Cambridge - PET (Preliminary english test). Experiência em Informática: Domínio de Windows, das ferramentas do Microsoft Office (Word, Excel e PowerPoint), Adobe Flash, Adobe Photoshop, Adobe Première (Edição de Som e Imagens), Intranet e Desenvolvimento de Sistemas para WEB (PHP + MYSQL). Domínio sobre área que abrange hospedagem de sites para internet, além de gerenciamento de servidores web. Domínio de hardware (montagem e manutenção).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

V FESTCINE DO SEMIÁRIDO ABRE INSCRIÇÕES

Já estão abertas as inscrições para a 5a versão do FestCine Digital do Semiárido.

O festival será realizado em quatro Estados do Nordeste (Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco), nos meses de outubro e início de novembro, em cidades que integram o semiárido. Seu objetivo exclusivo é exibir filmes focados na temática desta região. O Festival, em realidade, tem sido o porta-voz de um dos segmentos de maior expressão cultural/artística do Nordeste brasileiro: o Audiovisual.
Poderão se inscrever obras videográficas entre 5 e 15 minutos, desde que apresentadas em mídia (DVD), sem restrições de gêneros. As dezenas de obras exibidas, (e que são analisadas, discutidas e selecionadas pelos espectadores e utilizadas em oficinas durante os festivais) vêm permitindo aumentar de forma significativa a autoestima de centenas de nordestinos que, utilizando os ilimitados recursos digitais, procuram mostrar sua realidade, seus mitos e símbolos, as belezas e contrastes de suas paisagens.
Segundo o Regulamento do certame, o festival terá duas sessões especificas, uma para exibição pública de documentários e outra para ficção. A escolha das duas obras (um documentário e uma ficção) a serem premiadas será feita ao final de cada exibição, pelos espectadores das cidades onde se realizam as sessões, através de voto escrito.
Os filmes escolhidos receberão os Troféus “Walfredo Rodriguez de Melhor Documentário” e “Machado Bittencourt de Melhor Ficção”. Serão concedidos também prêmios especiais a serem divulgados posteriormente. A entrega das premiações será no dia 28 de dezembro, Dia Mundial do Cinema, em local a ser amplamente anunciado. As inscrições já podem ser feitas, previamente, através do site do certame: http://www.festcinesemiarido.com.br.
As obras concorrentes devem se enviadas até o dia 20 de setembro de 2012, para o seguinte endereço: WILLS LEAL (Coordenador Geral) Avenida Cabo Branco, no 4560, João Pessoa, Paraíba, CEP 58045-010.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sexta-feira, 27 de julho de 2012

SAGA E CINEMA NO QUARTO CENTENÁRIO DA PARAHYBA


Em tempos de efeméride, de justas homenagens ao aniversário da Cidade, nada melhor do que reviver a saga e a resistência do seu povo. Melhor ainda, conhecer a história de como se fez um dos melhores Documentários paraibanos dos últimos tempos e a sua real importância nas Celebrações dos 400 Anos de Fundação da Parahyba.

Em sessão especial, nessa quinta-feira (02) que antecede à data de 05 de Agosto, será exibido pela primeira vez, no Cine Mirabeau (Bessa), o documentário “Saga e Cinema no Quarto Centenário da Parahyba” (2005). Uma realização de Alexandre Menezes, pela Empresa AS Produções Cinema e Vídeo, com cenas de making-of dos lugares das gravações do filme e depoimentos sobre a produção do “Parahyba”.

Muitas vezes premiado em festivais nacionais de Brasília, Fortaleza e Maranhão o filme “Parahyba”, que teve a direção de Machado Bitencourt, é agora mostrado na sua forma mais viva, com uma Apresentação Especial do historiador José Octávio de Arruda Mello. Ele conta a saga que foi a realização do documentário e os propósitos que levaram à sua realização. Corroborando com Zé Octávio, os depoimentos do próprio Bitencourt e de Alex Santos, ambos roteiristas do filme.

Para Zé Octávio, nada terá sido mais oportuno e eficaz nas celebrações do Quarto Centenário da Paraíba que a realização do “Parahyba”, cuja produção da Cinética em 35mm e cores foi financiada pelo Governo do Estado da época (1985), com respaldo da então Embrafilme e apoio de instituições importantes, como a Universidade Federal da Paraíba através do seu Departamento de História, Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e Grupo José Honório Rodrigues. Um documentário, segundo afirma o historiador em depoimento no próprio filme, que trouxe algumas visões críticas importantes sobre a própria Paraíba.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, cineasta e professor/UFPB. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sábado, 14 de julho de 2012

A Imagem como forma apropriante (II)

 No escurinho do cinema, a magia de tudo...

O cinema tem buscado em sua dramaturgia, sobretudo, a valorização dos elementos espaço/tempo mais verossimilhantes com a realidade a que se propõe narrar. A composição cênica virtual através da luz, rigorosamente tem sido importante nesse sentido. Até porque, além da tela plana só há a ilusão desse espaço e desse tempo. Mas, existe certa desvantagem tecnologicamente química do cinema sobre o que vem se processando eletronicamente pela televisão. Não raro, o computador consegue espacejar de forma imediata todos os elementos previamente mentalizados pelo artista, sendo este muitas vezes superado nos detalhes pela máquina. Exemplo flagrante é o do “tira-teima”, nas partidas de futebol, enquanto recurso de realidade virtual, que tem se prestado muito bem a determinados “esclarecimentos espaciais”, através do documentário, sobre o que a capacidade humana de visualização quase sempre tem falhado.

Em se tratando ainda da composição de espaço e tempo, de ambientações concretas, a partir de um também referencial claro-escuro, um dado cenograficamente importante ganharia contornos subliminares, entre cinema e televisão: a luz. Esta, enquanto elemento modular rigorosamente fundamental de formas tridimensionais na realização fílmica. Na tv, a luz diáfana e até certo ponto “enganadora”, tenderia a se compor ainda mais com a digitalização dos novos processos “3D”, cujo resultado vem de substituir o artesanato fotográfico como exercício de qualidade, que houve de perpetuar a expressiva imagem do cinema aos dias hoje.

Ao contrário da virtualidade diáfana da tv, no cinema a luz passa a ser um instrumento poderosíssimo na busca da composição dos espaços cênicos. Espaços que nos têm dado (ainda) a ilusão do real dentro do discurso fílmico. Dessa confrontação existente entre o artesanal do cinema e o “tecnicismo” estético analógico ou digitalizado da máquina, a arte-do filme tem se distanciado cada vez mais de uma condição técnica vital já em curso no terceiro milênio: o aperfeiçoamento cada vez maior da imagem digital.

Enquanto isso, no plano especificamente construtivo de um novo status para a “imagem” televisiva, existiria premência por parte desta em intensificar uma espécie de autonomia do seu próprio modus, embora se sabendo da sua força enquanto meio (“o meio é a mensagem” – McLuhan) e, por extensão, do cotidiano social e político em que ela, tv, está verdadeiramente inserida. Até porque, o telespectador já absorveu quase totalmente o rito existencialista, até então usado/adotado pelo veículo.

Quanto ao aspecto relativamente técnico e linguístico da tv, o também adepto da “telinha” já compreendeu suas sutilezas e diferenças em razão do cinema, que tem no espaço cênico um dado fundamental no seu processo narrativo . A televisão vem explorando menos essa noção do “amplo espacejamento” na composição do seu discurso visual, principalmente quando nele não há relevância para uma narrativa dramática. Isto ocorre devido ao rigor cartesiano imposto à narrativa pelo vetor horizontal-vertical de tempo-espaço. Vetor normalmente dimensionado pela câmera e caracterizado pelos planos na construção desse mesmo discurso narrativo e, no caso do cinema, por sua vez mais liberal e pessoal enquanto obra construída, pronta e acabada.

“O filme tem se mostrado cada vez mais apto para as transformações que vão além daquelas condicionadas pela câmera.” Porquanto, (...) “o absoluto realismo da imagem cinematográfica é uma ilusão humana.” – Stan Brakhage.

ALEX SANTOS – Vice-Presidente da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br



quinta-feira, 5 de julho de 2012

A Imagem como forma apropriante (I)

                                   
A imagem como significado estético, como elemento de recriação artística e até investigativa, continua a ser o grande recurso de registro da vida; dos homens e do universo de tudo. Mesmo porque o artista, como razão apropriante dessa imagem pôde trabalhá-la, primando pela reivenção dos espaços e tempos numa multiplicidade de visões que nos têm levado à dedução de que, o uso direto de uma imagem, sobre determinado tema, houve de transformá-la verdadeiramente descritiva, única e completa, através do simples processo da nossa observação e imaginação. Ao contrário do texto escrito, cuja leitura poderia nos propiciar uma vasta gama de imagens sobre o mesmo tema, a partir de uma também multiplicidade de interesses e de uma diversificada concepção.

Ao afirmarmos também que todo resgate de uma imagem é uma forma de apropriação, no primeiro momento estaríamos admitindo também a afirmação de que uma imagem, em estado natural, por si mesma já representaria algo real, expressivamente significante. O fato de ser ou não resgatada artisticamente, subentenderia ainda a possibilidade de um novo estado de compreensão sobre essa mesma imagem e o que ela representa.

Em razão desta discussão, um exemplo típico é o da “imagem documental”, em que o acontecimento enquanto fato social poderia ter sua significação própria, a sua imagem; depois, o mesmo fato sendo visto/concebido de forma diferente, quando da hipótese desse for simplesmente “resgatado” como uma informação jornalística ou mesmo documental ao conhecimento público.

Sob o mesmo enfoque, entenderíamos também a hipótese do significado do que é real. Isto é, o registro do fato enquanto imagem constituinte de uma mensagem, a partir do factual – aquela imagem que é mostrada pelos filmes documentais e pelos noticiários televisivos. Seriam tais imagens, verdadeiramente reais? Ou, simplesmente, uma forma de representação do real? Nesta hipótese, a imagem (in natura) resgatada, passaria a ter o sentido de uma “imagem apropriada”, ganhando evidentes contornos e estilizamento específicos de um olhar tecnicamente comprometido. Não apenas pelo interesse que essa mesma imagem possa propiciar ao método da informação – o que já se constitui num certo gravame modificador dessa imagem – mas, sobretudo, pela preliminar noção crítico-política que todo meio difusor lhe impõe, intencionalmente, a partir de uma linguagem própria e de suas necessidades enquanto mídia e empresa.

Sob este enfoque, sabe-se ainda que o meio de produção é reconhecidamente conveniente e manipulador de uma linguagem que, a rigor, passaria a ser a “verdade” irradiadora da Informação. Afirmação que poderia vir seguida de outra de Marik Finlay, de que “a linguagem é uma troca adequada pela realidade.” Uma realidade que, tanto o cinema como a televisão, respectivamente, têm buscado explorar imageticamente de forma ficcional (representativa) ou simplesmente documental e informativa.

Insistimos, pois, nessa questão do resgate da imagem de um meio por outro, simplesmente porque entendemos a sua relação intrínseca com o que então vimos constatando/discutindo, que é o fato da apropriação, pela televisão, da forma de linguagem e da gramática visual construídas pelo cinema.

ALEX SANTOS é Vice-Presidente da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br



terça-feira, 19 de junho de 2012

“GABRIELA” COM A MARCA DOS PARAIBANOS

Sem surpresa alguma, na segunda-feira passada assisti à marcante presença da Paraíba na TV, no primeiro capítulo da tão famigerada “Gabriela”. Confesso, extasiei-me com as imagens (fã que sou do seu poder visualmente persuasivo), não menos com a atmosfera dramática e rústica do nosso Sertão. A excelente fotografia nos tornando, assim, mais próximos da realidade e miserabilidade humanas, em regiões como as que foram mostradas a um vasto número de “globalizados”.

Um cenário caótico, mas de uma beleza incomensurável foi o que nos foi dado em detalhe (e em Full HD), para que pudéssemos melhor visualizar os poros e as rugas dos muitos rostos sofridos dos “viventes da seca” do Nordeste brasileiro. Mais que um triste retrato esse, tantas vezes evocado e jamais levado a sério. Uma problemática pela qual devam melhor debruçar-se os que se dizem realmente dirigentes deste país.

Embora tenha enveredado por esse não menos importante e objetivo discurso sociológico, sobre “Gabriela” o meu foco estaria na presença firme, contundente de um dos atores que considero mais emblemáticos do nosso tempo, quando se trata da personagem nordestina. Sem cacoetes cênicos, vivenciando com extrema fidelidade tempo e ritmo propostos, ele tem se destacado como dos melhores da sua geração.

Pouco importa se teve origem na Piollin ou não (já que existe uma máxima de que os bons atores paraibanos dali vieram), Everaldo Pontes (foto) preenche os espaços cênicos, onde quer que atue, mesmo que sua participação seja efêmera, a exemplo dessa mais recente versão de “Gabriela”. Diria existir uma estética perfeita entre o ator e a paisagem sertaneja, em que normalmente atua. Quem jamais pode olvidar uma obra como “Abril Despedaçado”? No filme de Sales, mais uma vez o nosso Everaldo Pontes marcou presença... Detalhe: Ali, estiveram firmes e fortes cinco paraibanos.

ALEX SANTOS, Vice-Presidente da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br