sábado, 22 de janeiro de 2011

APC: Memorial do cinema paraibano deverá ser realidade




As entidades mais representativas da cultura cinematográfica e do seu meio produtivo, na Paraíba, firmaram um Protocolo de Intenções, durante a realização do III Aruanda Fest. O objetivo desse protocolo foi o de gerar soluções para minimizar algumas questões que envolvem o nosso cinema, dentre as quais a preservação dos seus acervos materiais e imateriais.

Este foi o registro que fiz há algum tempo, nesta mesma coluna, sobre uma medida que deveria por fim (infelizmente, isso ainda não aconteceu) ao mais grave problema que o nosso Cinema enfrenta até hoje e que vem se arrastando havia anos: o de não se tomar providências urgentes para a preservação do seu patrimônio, numa ação desburocratizada e verdadeira, que não só demande iniciativa, apenas, dos Poderes Públicos, em suas três esferas.

Denunciei naquele momento o estado de calamidade em que se encontrava o Acervo Machado Bittencourt, e recentemente tivemos mais uma vez o desabafo da própria família sobre perdas irreparáveis daquele acervo, quando de recente atividade da Academia Paraibana de Cinema no Espaço Cultural. Situação essa que já está se tornando parte do anedotário do nosso meio cinematográfico.

Esta semana, em reunião que tive com o presidente da APC, Wills Leal, para tratar de assuntos ligados à sua coordenação no Fest-Cine Digital do Semiárido, recentemente realizado em quatro estados do Nordeste pela AS Produções Cinema e Vídeo, com apoio do BNB, ele demonstrava certo desconforto com a situação dos nossos acervos. Declinou uma série de medidas a serem novamente adotadas, agora através da APC, inclusive, junto ao Governo Federal.

O Governo do Estado, Prefeitura Municipal de João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba, Unipê, ABD-PB, que subscreveram em 2007 o Protocolo vão ser novamente contatados sobre o assunto, agora pela Academia Paraibana de Cinema. Ações efetivas serão propostas e reexaminadas, inclusive através projetos juntos às entidades federais, para que o Memorial do Cinema Paraibano possa ser de fato uma realidade. Vamos aguardar, então.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / asprod.mail@gmail.com /

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ator Ricardo Moreira se prepara para novo filme



Atuando apenas como “figurante” em alguns filmes e vídeos realizados na Paraíba, e até então não muito conhecido nos meios cinematográficos, ele teve sua primeira oportunidade como protagonista em “Antomarchi”. Filme produzido por AS Produções Cinema e Vídeo e pela MDIAS Construções e Incorporações, exibido recentemente no VI Fest Aruanda e que acaba de receber da Academia Paraibana de Cinema o Premio de Melhor Media-Metragem de Ficção, em 2010.

De atuação sóbria, equilibrada, sem gestos descontextualizados, o ator Ricardo Moreira (foto) incorporou três difíceis papéis, em épocas distintas da estória do filme: um professor aposentado, que ora retorna da Europa para reaver bens de família e matar saudades de sua cidade natal (cenas de abertura do filme); um monge de negro, figura imaterial e espiritualizada, destinada a restituir a vida e a liberdade aos membros de sua família; e de um ancião enfermo num hospital, que retorna para a vida após a presença do monge em seu leito de morte.

O triplo papel vivido por Ricardo Moreira faz parte de uma trama construída no filme e adaptada a partir de três contos distintos de autoria de Mirabeau Dias e Sueli Cavalcanti Dias. A narrativa de “Antomarchi” demonstra laços de família muito fortes entre ancestrais e seus descendentes, comungando um passado não muito recente e que nos chega aos dias atuais, basicamente, através de um menino de doze anos, instrumentista, e de sua mãe. Personagens vividos, respectivamente, pelo garoto Danrley Natan e por Joelma Cavalcanti, outras gratas revelações.

Após a experiência em “Antomarchi”, que durou quase um ano, o ator Ricardo Moreira está sendo cogitado a um novo papel. Dessa vez, para reviver um personagem importante da cultura da Paraíba, cabendo-lhe a proeza de interpretar não menos um dos membros de sua própria família. Estudos e laboratórios de preparação, entre a direção do novo filme e o ator, devem começar já nos próximos meses, após as gravações de um “curta” que ambos estão rodando na região do cariri paraibano.

ALEX SANTOS membro da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

OBJETOS NO JORNAL IMPRESSO POR SECYLIANA AMORIM
















Secylyana Amorim: Continuísta do filme "Antomarchi"

Curioso e interessante estudo sobre os objetos, a essência e funcionalidade deles no trato do jornalismo impresso, é o que contempla o recente trabalho da aluna de Graduação do Curso de Comunicação Social da UFPB, Secyliana Amorim Braz. Com fulcro em convicções pessoais e amparada em alguns dados bibliográficos, ela defende que “o objeto necessita da ideia conceitual para adquirir um formato”, que lhe possibilite ser mais bem assimilado por parte do leitor em potencial.

Invocando, ainda, alguns propósitos de Vilém Flusser (“O mundo codificado”), sob a coordenação de seu professor-orientador, a autora parte para um demonstrativo mais objetivo e conclui que “A análise dos objetos inseridos nos conteúdos do jornal impresso contribui para estimular a reflexão que consiste no questionamento sobre os nomes dos objetos, a funcionalidade que cada um possui e como o sentido da narrativa jornalística pode ser expandido, considerando a renomeação como suporte facilitador da linguagem utilizada no jornal.” Defende, igualmente, que “A essência do objeto é fator considerado na nova nomeação, sendo transmutada apenas para outro nome, conservando assim, a substância funcional.”

Argumenta Secyliana que “Os conceitos de matéria e forma dos objetos e a ponte histórica estabelecida, que remete ao processo da Revolução Industrial e suas implicações, também são definidos, com intuito de introduzir a pesquisa sobre os objetos e relacioná-las com as análises do jornalismo impresso.”

Tendo como parâmetro também de estudo algumas matérias publicadas por jornais locais, a autora discerne sobre a importância dos objetos do nosso cotidiano, quando afirma que “A relação do objeto com o cotidiano é outro fator relevante na análise, já que o objeto é o centro do contexto da narrativa jornalística e da vida cotidiana das pessoas.” E dá o exemplo de uma publicação com o título “Governo entrega biblioteca da Funesc”, sobre a qual reforça sua posição de que, “a partir do seu contexto, extraímos o elemento principal da temática, que é objeto atuante e que se relaciona diretamente com o conteúdo em evidência.”

Para Secyliana, “Na matéria é informado que uma biblioteca com um acervo de 93 mil livros foi entregue à cidade de João Pessoa, sendo o livro o objeto da reportagem.” Destaca também que “O livro pode ser considerado conceitualmente como um conjunto de folhas em volume impresso ou manuscrito, mas também é mais que isto: é um propagador de conhecimento que utiliza o conteúdo contido em seu interior para transmitir ideias.”

E acrescenta: “Os objetos são elementos que possuem formas e exercem funções que facilitam a execução de atividades. No cotidiano é possível verificar a existência de inúmeros bens que influenciam os hábitos diários das pessoas. (...) Por isso, se faz necessária a conexão fixada entre o objeto, significado do seu nome, sua funcionalidade, a abrangência do seu nome no contexto narrativo e o alcance exercido por este na vida cotidiana.”

O mais curioso desse trabalho de Secyliana Amorim, e que nos causa espécie, não seria só pelas questões abordadas e teses defendidas com certa profundidade, mas pelo fato de ser a autora, apenas, aluna graduanda em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal da Paraíba, ao lado de outras nove participantes, em sua maioria da Pós-Graduação do mesmo curso. Todas, igualmente signatárias de outros temas que enfeixam o livro “SÓCRATES RECORTA JORNAIS CRÁTILO DESENHA PALAVRAS - O NOME DAS COISAS NO JORNAL IMPRESSO”, sob a Coordenação do professor Wellington Pereira. A rigor, um belo trabalho, portanto, do Núcleo de Artes Midiáticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFPB.

ALEX SANTOS – Vice-Presidente da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta.
E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br / www.alexsanto.com.br