domingo, 12 de setembro de 2010

Tecnologia e Jornalismo Científico














Ícone tecnológico das Comunicações

Informação e Tecnologia, nos dias atuais, são valores fundamentais ao processo de conhecimento e desenvolvimento das sociedades organizadas. Talvez muito mais do que antes, em toda a história da Humanidade. Isto por que, no bojo desta afirmação, intrinsecamente se nos apresenta contida, de certo modo, a perspectiva clara de outro também importante e contemporâneo valor: o Jornalismo Científico.

Tecnologia e Jornalismo Científico, por assim dizer, sendo valores paradigmáticos, igualmente aliados à modernidade da Informação e aos balizamentos de um novo modo de ser da Comunicação e de seus informados. Fenômenos esses, que consubstanciam reverberações de tamanha magnitude, através da segmentação dos media, que jamais nos deixariam outras opções de viver, senão por intermédio da absorção de tais ecos de conhecimento.

Sob tais reflexões, e aludindo às aspirações coletivas de ávidos saberes, sobretudo, no mundo acadêmico superior, vimos testemunhando importantes iniciativas no setor. Iniciativas, que se sensibilizam cada vez mais, quer no dogmático âmbito dos laboratórios especializados, quer nos encontros de cunho específico, como as INTERCONS, por exemplo. Refletindo sempre sobre a real problemática das perspectivas de difusão científica, sob o foco das teorias da Informação.

No ato científico da Comunicação, as bases de uma Mídia contemporânea em compromisso com as novas experiências e diagnósticos mais aprimorados, tendo como parâmetro a diversidade cultural das massas, nas várias regiões do País. Uma espécie de busca à “sensibilidade” dos informes ou – como diria o sociólogo Edgar Morim, em relação às Artes – a “humanização” dos instrumentos e organismos geradores de políticas científicas e tecnológicas voltadas para o exercício da Informação.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aliás, para que serve então a mídia?





Ataque de 11 de setembro (USA)

Procurando traduzir comparativamente a dinâmica fractal dos tempos atuais e os recursos vastos das novas tecnologias da Informação, vemos que o nosso modus vivendi já não é mais o mesmo. De há muito o consuetudinário, que queiramos ou não, tem-se perdido no emaranhado de situações e planos, na revolução dos bits de uma nova História.

No clic instantâneo das comunicações, “roboticamente”, como num passe de mágica, já se salvam vidas havia quilômetros de distância. Contraditoriamente, num piscar de olhos, apertando-se um simples botão, vidas anteriormente salvas pelo “milagre” científico poderão ser ceifadas, produto da intolerância e desatino dos que, consciente/insensivelmente, dominam e manipulam as massas incautas e desesperançosas, em um mundo hoje verdadeiramente fragmentado.

Quanta contradição tem gerado o então preconizado progresso da humanidade!... Na ampla aldeia global em que vivemos, durante anos, fomos capazes das mais pirotécnicas experiências, numa odisséia não apenas prevista a partir do ano 2001, preconizada tão sabiamente no filme de Kubrick, intencionalmente, nos compelindo a sublimar a “guerra”. Nessa evolução, fomos cooptados à prática da hipocrisia e do desinteresse pela paz, simplesmente porque o confronto armado nos dá pecúnia, status e poder.

Não há de ser tão simples assim, a culminância da complexidade humana num simples aperto de mãos, como desejariam os mais otimistas. Mas, bem que este pudesse ser o gesto de uma catarse e do reconhecimento às equações de toda uma humanidade. Assim, nas relações políticas e sociais, não menos nas artes, o grande desafio mesmo é se conseguir um animus desarmado entre os povos. Atitude essa que tanto nos tem faltado.

Refletindo a priori, sobre um possível elo comparativo entre o que é virtual (pode acontecer) no cinema e na tv, e, a rigor, o que nos é mostrado diariamente através de informes cinéticos e telejornais, haveremos de introjetar algumas imagens, do mesmo modo, admitir algumas verdades de que existe hoje na massa uma espécie de delírio sublimado, diáfano, em todo esse seu processo de induzimento.

Agora, quando nos referimos a uma “cooptação de massa” é porque esse fenômeno socialmente indutivo existe de fato, em forma de “moeda corrente”. Talvez, de maneira eticamente questionável, não nos termos em que essa violência vem ocorrendo, mas, e principalmente, sob a forma velada, sub-reptícia, mas indutiva, “fabricados” pelos nossos meios de comunicação, numa demonstração clara de que a violência de hoje é, realmente, o ópio das massas.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

“ANTOMARCHI” será exibido em Campina Grande








Atores: Ricardo Moreira e Joelma Cavalcanti, em "Antomarchi"

“Impactada visualmente”. Essa foi a sensação da platéia que superlotou na terça-feira passada (17) a Sala Digital de Cinema do Espaço Cultural José Lins do Rego. Pelo menos, esta é a opinião da grande maioria que assistiu à Sessão de Lançamento do filme “Antomarchi”, considerada a primeira produção paraibana Finalizada com recursos tecnológicos de Alta Definição de imagens (Blu-Ray). Representantes dos diversos segmentos culturais e educacionais do Estado, ex-Reitores, Pró-Reitores da UFPB, integrantes da APC e da Imprensa paraibana prestigiaram o lançamento do filme.

Apesar de ter sido exibido não em Blu-Ray, mas em simples projeção digital (DVD), em ambiente de referência e que tem sido espaço de grandes eventos da nossa Academia Paraibana de Cinema, “Antomarchi” conseguiu sensibilizar a platéia, não só por sua excelente fotografia, mas, pelo uso marcante de tempo e espaço, que conduz gramaticalmente a narrativa do filme a um ritmo considerado “perfeito” por críticos e autoridades ali presentes, logo imediatamente à apresentação do filme.

Na semana anterior (10 de agosto), AS Produções Cinema e Vídeo e a Direção do Zarinha Centro de Cultura realizaram uma sessão de “avant-première”, só para a Imprensa, marcando naquela oportunidade o primeiro feito cinematográfico da trajetória de “Antomarchi”: Inaugurava-se uma nova fase de exibição de filmes da Sala de Cinema do Zarinha, que, a partir de então, passou a dispor dos recursos tecnológicos de high-definition (Blu-Ray).

Com uma agenda de programação prevista também para fora de João Pessoa, um cronograma de exibições do filme será ratificado em reunião, ainda esta semana, entre a Produção de “Antomarchi”, Academia Paraibana de Cinema, UEPB de Campina Grande e representantes da cultura serrana, para que o filme seja exibido durante o encerramento do Festival Comunicurta, já no final da próxima semana.

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

APC LANÇA "ANTOMARCHI" NA FUNESC DIA 17















"ANTOMARCHI" - O personagem e o solar

ANTOMARCHI”, que está sendo considerada a primeira produção áudio-visual originalmente finalizada em Blu-Ray, na Paraíba, terá sua “avant-première” nessa terça-feira, dia 17, às 20h00, na Sala Digital de Cinema do Espaço Cultural José Lins do Rego. O filme, média-metragem do gênero ficção, a partir dos contos de Mirabeau e Suely Cavalcanti Dias, tem 36 minutos de duração, em high-difiniton, com fotografia de Alexandre Menezes, que vem sendo bastante elogiado por seu profissionalismo.

Após um longo período de gravações, que durou nada menos de oito meses, interna e externamente, pudemos concluir a Produção. Desse esforço restaram-nos mais de duas horas de imagens gravadas em high-definition. Mais complicado, ainda, porque nos deparamos com uma narrativa construída a partir de um texto marcadamente intimista, mas intrigante, povoado de personagens sisudos, misteriosos, como foi o caso desse média-metragem, inicialmente pensado para ser um “curta”. O desafio foi contar uma estória em três épocas (final dos anos 40, início de 60 e época de hoje), com ambientes cenográficos pertinentes e figuras que se cruzam o tempo todo, formatando links existenciais entre elas, vivenciados numa espécie de curva do tempo ou, como diria o autor, “nas dobras de um fractal”.

A escolha para atuarem nessa enigmática e curiosa construção dramática, com personagens que “falassem”, apenas, com a sisudez e o seu próprio ritmo, na cena, vez que optamos por não abusar do discurso falado direto, habitual, foi um dos nossos grandes desafios. Mais ainda, porque optamos por atores não-profissionais para fazê-lo. Entendíamos nós da Produção do filme, especialmente, após longas discussões sobre o assunto, que o fato de uma nova cara na atuação, de certa maneira, haveria de nos livrar de alguns incômodos estereótipos. Assim aconteceu.

Entre tantas idas e vindas, do então volume de material gravado, em que a Capital parahybana faz-se, igualmente, protagonista da estória, criamos um filme de média-metragem, também, com sabor de História do nosso tempo. Resultado, preconizado está a constatação de alguns valores que conseguem pensar e escrever a vida de forma incomum. Uma opção videomaker diferenciada sobre um universo metafórico, intrigante, intimista e até místico, sobre as múltiplas esquinas da vida, seus mirantes dos dias; um misto de enigmas e viajores do tempo.


Sinopse

Há anos vivendo fora do Brasil, hoje professor aposentado ele decide resgatar pessoalmente os bens de família havia muito deixados na cidade em que nascera. O retorno de Antomarchi (Ricardo Moreira) o faz lembrar-se dos primeiros anos de sua infância e da adolescência cheia de musicalidade e fantasias. Tempos dos antigos cinemas e filmes memoráveis, personagens de revistas em quadrinhos e do colégio onde estudou. Tudo agora é lembrado no seu breve trajeto pela cidade. Mudanças marcantes aconteceram na urbe, desde sua partida para a França. Hoje, ele alimenta uma nostálgica visão do passado. O contato mais sensível de Antomarchi será com o velho sobrado onde residiu quando criança. Imagem que guardara com carinho durantes anos. Ao adentrar o sombrio casarão, revive a presença de seus antepassados, os caminhos matinais da escola, as alegres tocatas de oboé e situações dante jamais sentidas. É um reencontro consigo mesmo. No interior do antigo solar, entre estantes e livros, antigas fotos desbotadas de família, um velho piano negro empoeirado de notas dissonantes e os “fantasmas” de toda uma vida...

Época da ação

A estória, que tem início no final da primeira década do século XXI, obedece a uma diversificada cronologia de tempo: Resgata o início dos anos sessenta, época doirada do personagem quando criança; posteriormente, retroage ao final dos anos 40, resgatando através da música do menino algumas figuras ancestrais, simbolicamente curiosas e familiares, culminando sua trajetória à época atual.

Ficha Técnica

ANTOMARCHI” dos Contos de Mirabeau Dias e Suely Cavalcanti Dias – Com o ator Ricardo Moreira, apresentando Joelma Cavalcanti e Danrley Natan – Produção: ASProd e MDias - Roteiro e Direção de Alex Santos e Assistente Manoel Jaime - Fotografia e Câmera: Alexandre Menezes (ASP) - Música: Léo Duarte e Vângelis. Filme COR, 36 minutos, originalmente realizado em HD para Blu-Ray pela Empresa AS Produções Cinema e Vídeo/maio/2010.

(Notas (in copydesc) para simples divulgação nas diversas mídias, sob responsabilidade de ASPROD.com.br )

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br


sábado, 31 de julho de 2010

Um roteiro “coisa de cinema”






Recebi recentemente de minha Assistente de Produção e ex-aluna da faculdade, Joelma Cavalcanti, um livro que me fez lembrar as peregrinações que fiz com o amigo José Octávio de Arruda Mello pelos caminhos históricos de Rio Tinto e Mamanguape. Isso havia mais de dez anos. O livro em questão, “Mamanguape: Apogeu, Declínio e Ressurgimento” (Idéia 2009), do eminente desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque, tem tudo a ver com as pretensões de quem fareja sempre “coisas de cinema”.

Resgatando fatos da visita do Imperador Dom Pedro II à Paraíba, justamente para celebrar o sesquicentenário desse feito (1859-2009), o livro reporta sobre os tempos áureos do Município litorâneo, sua performance sobretudo comercial através da cana-de-açúcar, no século XIX, a posterior decadência e o que o autor registra como sendo de “ressurgimento”, espécie de fênix advinda do caos, transformando a região como uma das mais ricas da nossa História. Trajetória essa que nos aguça a uma verdadeira (e urgente) “construção” cinematográfica.

O parentesco de minha Assistente de Produção com o ilustre magistrado (Cavalcanti de Albuquerque) se nos remete a outro ícone da Cultura e da Educação, na Paraíba: Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque. Este, ex-Reitor da UFPB, a quem tive o prazer de assessorar na criação e publicação do Informe ABIPIT, quando da realização de minha pós-graduação na Universidade de Brasília, no período de 1992-1994. Sobrenomes que se impõem em significação, cujas raízes possivelmente só explicadas pelo nosso “heraldista” e professor Nivalson Miranda.

Além do relato preciso e sensível sobre sua terra natal, o autor de “Mamanguape...” nos presenteia também com uma iconografia rica de passado e de presente. Quiçá, motivo esse que nos levaria a uma reflexão da importância que seria um trabalho documental a respeito. Um registro com todos os carismas visuais possíveis, somente permitidos pela cinética da imagem produzida por “videomaker”. Mas, à guisa de informação, seria essa apenas uma pretensão de quem sempre visualiza as coisas sob a ótica do cinema...

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Um cinema feito de simbolismos








No final de semana que passou, depois de vários contatos e acertos, uma equipe composta de professores, alunos e técnicos da UFPB deslocou-se à região do Cariri, onde foram gravadas as primeiras cenas de mais um curta-metragem paraibano. Durante quatro dias, peregrinando por entre veredas espinhentas, reptis e muita pedra, o grupo se desdobrou para conseguir as melhores imagens, na busca do que será mais um trabalho de conotação não só acadêmica.

O olhar assustado, porém, interrogante de uma criança de ares brejeiros terá sido o ponto de largada para uma nova estória a ser contada brevemente através do nosso cinema. Sobre tal feito, diria o próprio autor, professor Nivalson Miranda, tratar-se de uma saga que simboliza não só um simples olhar infantil, mas, principalmente, o que esse olhar pode significar de reprovação e de denúncia ao medo e à submissão em que vive com os pais, sob o jugo ainda do coronelato.

A Cenografia do lugar, um sem fim povoado de algarobas, facheiros e rochas, ainda não refletia tanto, naquele momento de intenso labor, as preocupações do autor sobre o tema que pretende abordar, mas, já nos dava uma idéia ao que se propõe. Seus personagens, secos como o próprio lugar, jamais se apercebem da sua singular importância, porquanto a rotina lhes tira a verdadeira noção do perigo, sobretudo do tempo de suas existências.

Distante sete quilômetros do centro de Serra Branca, subindo e descendo rochas, a equipe conseguiu registrar personagens que se movem sorrateiras como os próprios reptis ali existentes, entreolhando-se numa comunicação muda inusitada. Em frente à velha casa de tijolo sem reboco, numa tarde como tantas outras, eles assuntam o tempo – Seu Biu, Donana e o filho Zeca. Este, que dá início à estória a ser brevemente contada pelo nosso cinema. Só resta agora esperar...

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br

sábado, 3 de julho de 2010

O Cinema perto de você








Não sem tempo se pensou que Cinema é Arte de massa e que dá dinheiro, também. Com uma produção de filmes crescendo a cada ano, estimada em nada menos que 100 longas, segundo dados da própria Ancine, nada mais justo que o acionamento de medidas de incentivo ao cinema, não apenas para a Produção, mas, necessariamente, ao escoamento de todo esse produto, que tem feito da arte-do-filme uma das mais importantes do País.

De havia muito reclamado pela população, e não só pelos amantes da arte, mas, por todo o empresariado brasileiro do setor de Exibição, o Ministério da Cultura resolveu acenar com a possibilidade de ampliação de Salas de Exibição Cinematográfica. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou recentemente a Medida Provisória 491/2010, que institui o CINEMA PERTO DE VOCÊ – Programa Integrado de Expansão do Parque Exibidor.

A primeira vantagem que vejo nessa medida é a possibilidade de o Cinema ir ao encontro da comunidade de bairros e periferias dos grandes centros, possibilitando, inclusive, a construção de salas em cidades do interior. O segundo ponto, igualmente importante, decorre da abertura/reabertura de salas – não em “shopping centers” – e, por conseguinte, a criação de mercado de trabalho para profissionais da área de exibição de filmes.

Durante a assinatura da MP, que contempla um novo rumo para o Mercado Exibidor do Cinema Brasileiro, solenemente, o Presidente Lula afirmou: “Não dá para esperar que as pessoas vão até o cinema. É o cinema que tem que ir até às pessoas. Temos que fazer cinema no local onde não tem, para que ele chegue à classe pobre e às periferias. Por isso este programa é apenas o primeiro passo: a solução do problema vai depender da criatividade do setor.”

O que se espera, na verdade, é que haja uma exclusividade, a partir de agora, para o filme nacional. E que este seja realmente visto pela maioria da população brasileira, em salas que possam mostrar a nossa real produção. Que se dê igual importância à reserva de mercado, este sufocado pelo produto estrangeiro, muitas vezes de má qualidade, principalmente veiculado pela televisão. Sinceramente, esse é o nosso maior gargalo: exclusividade do produto estrangeiro em detrimento do filme brasileiro. Valeu, seu Lula!

ALEX SANTOS da Academia Paraibana de Cinema, professor e cineasta. E-mails: alexjpb@yahoo.com.br / contato@asprod.com.br